Mestres antigos

Mestre Irineu

Raimundo Irineu Serra (São Vicente Ferrer, 15 de dezembro de 1892 — Rio Branco, 6 de julho de 1971), mais conhecido como Mestre Irineu ou Mestre Juramidam. No início do século XX Raimundo Irineu Serra foi mais um dos inúmeros migrantes nordestinos a se mudarem para o território amazônico em busca de oportunidades com o ciclo da borracha. Mas foi depois de várias vivências pelo interior da floresta amazônica, trabalhando como soldado na divisa entre Brasil e Peru, que Irineu Serra conheceu por meio de indígenas da região a bebida sagrada ayahuasca. Após este acontecimento, desenvolveu um estudo, que foi dado através da Virgem da Imaculada Conceição, a partir desta bebida e foi fundador da doutrina espiritual do Daime, que possui como sacramento o chá da ayahuasca, cristianizada e rebatizada por ele mesmo, por meio da orientação da Rainha da Floresta (Virgem Maria) como Daime. Sua doutrina traz na essência cânticos e chamados que guiam e dão força na caminhada espiritual durante a comunhão da bebida sacramental na busca do auto-conhecimento e aperfeiçoamento do caráter individual dentro das escalas social, afetiva e espiritual.O culto é predominantemente Cristão, e traz consigo todas as divindades de cunho característico do batalhão da Rainha da Floresta, formado por caboclos protetores e orientadores a qual se inclui a mais forte como os Caboclos do Tucum, sendo esta a linha de trabalho do Mestre Irineu. As divindades máximas desta linha estão centradas em Deus e representadas por Jesus Cristo, Nossa Senhora da Conceição, o Patriarca São José e São João Batista.

Germano Guilherme

Germano Guilherme dos Santos nasceu em Pernambuco, em 28 de maio de 1902. Mudou-se com sua família para Rio Branco, Acre, onde ele viveu trabalhando nas colônias. Ao servir a Guarda Territorial, Germano conheceu Raimundo Irineu Serra, assim como também conheceu o Daime através desse amigo. Não só foi um dos primeiros seguidores do Mestre Irineu, acompanhando-o desde 1928, como foi o primeiro a cantar um hino na doutrina, mesmo que o primeiro hino tenha sido recebido pelo Mestre, duas décadas antes, nas florestas do Peru (1912). Por esse motivo, é tradição no Alto Santo cantar o seu hinário antes do “Cruzeiro”, hinário do Mestre. Germano Guilherme era um homem de pele negra e dentes alvos, tendo grande carinho pelo Mestre. Eles se chamavam mutuamente de “maninho”. Nos pedidos com o Daime, pela cura de uma ferida na perna, viu que em uma encarnação anterior havia sido um cruel senhor de escravos, daí não haver cura para a mesma ferida, pois era “sentença”. Por causa disso ele não podia comer certos alimentos, mas quando estava na casa do “maninho” Germano comia de tudo e não sentia nada. Em 1943 ele desposou uma filha de Antônio Gomes e Dona Maria de Nazaré, Cecília, vinte e seis anos mais jovem que ele e cujo filho de adolescência (que havia gerado com José das Neves) fora adotado pelo Mestre e sua esposa, Dona Raimunda. A este filho foi dado o mesmo nome do tio materno que o Mestre deixara no Maranhão, Paulo d´Assunção Serra. Germano Guilherme faleceu em 1964, deixando seu caderno de hinário, o “Sois Baliza”, como um dos alicerces da Doutrina que ajudou a fundar junto a seu amado Mestre.

JOÃO PEREIRA

Um dos primeiros membros da Doutrina de Juramidã, João Pereira nasceu em Porongaba, Ceará, no fim do século 19. Não se sabe a data de sua transferência para o Acre, mas ele também serviu na Guarda Territorial junto ao Mestre e Germano, e tocava na banda como músico do quartel. Conta-se que João Pereira tinha pouco cabelo, era caboclo e trabalhou como agricultor e carroceiro. João Pereira possui um dos cinco hinários tidos como base da Doutrina. O caderno de hinário deixado por ele foi intitulado "Seis de Janeiro" por conter uma pungente valsa em celebração ao Dia dos Santos Reis Magos. Além destes hinos, João Pereira recebeu o hino "Oh meu Pai Eterno", que no Caderno de Missa é cantado em pé com quatro celebrantes segurando velas acesas em torno da mesa para formar uma cruz. Também teria tido outros hinos, os quais foram em uma correção pelo Mestre retirados do caderno e deixaram de ser cultivados. Faleceu em 1954, e depois disso o Mestre se separou de sua esposa Raimunda e toda a família desta deixou o Acre. Mestre Irineu sempre se referia a ele como "o General do Conforto", por aquilo que seu hinário transmitia de bom dentro dos trabalhos em que era cantado. Sobre esse importante pioneiro, apesar de ele ter ficado conhecido na doutrina como “General do Conforto" - de acordo com o que se sabia pela suavidade de seus hinos -, é surpreendente saber que ele foi um seguidor de personalidade forte, voz de trovão, às vezes sendo descrito até como intimidante. Sobre sua patente recebida em vida, mais adiante veremos que ela não viria de seu hinário, mas de uma particularidade sua no salão, durante as cerimônias, dando provas mais uma vez de que a missão espiritualista de Raimundo Irineu Serra teria o auxílio de um grupo muito especial de pioneiros.

ANTÔNIO GOMES

Antônio Gomes da Silva nasceu no Ceará, em 30 de abril de 1885, onde se casou com dona Maria Nazaré e com quem teve cinco filhos. Depois, ele se mudou para Belém do Pará, transferindo-se em 1921 para Rio Branco, no Acre, onde trabalhou na seringa e mais tarde na agricultura, a exemplo de muitos migrantes pioneiros que vieram do norte do país e posteriormente ingressaram na doutrina de Irineu Serra em 1938. Ficando viúvo, casou-se de novo com dona Maria Gomes, tendo desse casamento mais quatro filhos. O hinário de Antônio Gomes se destaca entre os outros. Nele não só se reforça repetidamente a legitimidade da revelação de Mestre Irineu, como também, ocorre uma ruptura com o conteúdo comum aos outros hinários, já que efetua um deslocamento do epicentro da doutrina, a revelação da Virgem da Conceição, para o próprio Mestre Irineu. Dessa forma Antônio Gomes reforça a ideia de que Mestre Irineu seria uma espécie de redentor, escolhido pela divindade. Na acepção de seus seguidores seria ou “Juramidã” ou “Mestre Ensinador” ou mesmo, como Antônio Gomes coloca, “Meu Príncipe Imperial”, dotado do mesmo poder de Jesus Cristo. Fonte: Eu Venho de Longe, de Paulo Moreira e Edward MacRae. Pag. 167 Teófilo Maia, em conversas com o senhor José Gomes, dona Adália e a já falecida Vó Preta, narra um pouco da história do Antônio Gomes. “O Sr. José Gomes me contou, lá na curva do Tucumã, na comunidade Caminho do Sol, que o pai dele era um comerciante que tinha um engenho e um aviamento onde hoje é o bairro do Calafate, em Rio Branco. Ele trabalhava como uma espécie de "Banco Agrário", emprestando dinheiro ao agricultor e recebendo em produtos como milho, cana e mandioca, e aí produzia farinha, rapadura, massa de milho e outros, e, então, vendia para os grandes aviamentos dos seringalistas para abastecer os seringueiros. Contou-me também que ele era de Sobral, no Ceará, onde trabalhava como estafeta (espécie de carteiro que entregava correspondências e mercadorias na zona rural) antes de vir a primeira vez para o Acre e de onde voltou para casar-se com dona Nazaré, que não queria vir para a floresta. Então, ele ficou um tempo novamente em Sobral, onde voltou a trabalhar como estafeta. Mas, vindo um daqueles períodos de seca, e como ele já tinha uma família constituída, com mulher e filhos, ele não teve alternativa que não fosse voltar para a Colônia que ele havia deixado no Volta do Empresa, hoje cidade de Rio Branco, onde começou a trabalhar no aviamento para seringalistas.”

Maria Damião

Maria Marques Vieira nasceu em Belém do Pará, no dia 4 de novembro de 1910 e, ainda muito jovem, transferiu-se com sua família para Rio Branco - Acre, onde no ano de 1931 veio a conhecer o mestre Raimundo Irineu Serra. Maria Damião, como passou a ser conhecida - devido ao nome de seu esposo, era de baixa estatura, branca e loura. Do recente livro publicado, "Eu Venho de Longe", de Paulo Moreira e Edward MacRae, ficamos sabendo um pouco mais sobre sua vida e seus filhos. Maria Francisca Vieira, também conhecida como Maria Marques Vieira (nome de casada), ou Maria Damião, tomou-se viúva aos 30 anos de idade. Seu hinário foi muito apreciado pelos daimistas e viria a se tornar um dos mais importantes do Daime. Sabe-se que nasceu no Ceará, no dia 4 de novembro de 1910, e chegou ao Acre no final da década de 1920, ao lado de Porfilio, seu primeiro esposo, mas com quem não teve filhos. Um pouco depois de sua chegada, ele foi assassinado e, em seguida, ela conheceu Damião Marques de Oliveira, casando-se com este no início da década de 1930. Juntos tiveram seis filhos, Raimundo, Laura, Lúcio, Hugo, Valdir e Matilde. O casal também chegou a criar um sobrinho de Damião, Wilson, filho de Manoel Marques (irmão de Damião). Os irmãos de Damião, Pedro, Manuel e Lucas, também se tornaram seguidores de mestre Irineu, juntamente com suas esposas e filhos (...). (...) No final da década de 1930, Damião Marques de Oliveira, esposo de Maria Francisca Vieira (Maria Damião) adoeceu gravemente de pneumonia, passando cerca de seis meses convalescendo da doença. mestre Irineu chegou a tratá-lo, mas diz-se que Damião não cumpriu o tratamento e, assim, veio a falecer. Não se sabe com precisão a data de sua morte, sabendo-se somente que ele morreu logo após o nascimento de sua filha caçula, Matilde, no dia 21 de novembro de 1939. Assim, o final da década de 1930 marcou dez anos de trabalho de mestre Irineu e também a morte de Damião Marques de Oliveira. (...) (...) A família de Damião teve grande importância na rede de amizades de mestre Irineu. Foram eles que lhe deram apoio para a realização dos rituais do Daime num espaço mais amplo, no terraço de sua casa, onde cabiam mais participantes. Maria Damião desempenhava um papel importante nos rituais de mestre Irineu, dando auxílio aos novatos e aos que necessitavam de conforto. [9] Maria Damião veio a falecer no dia 2 de abril de 1949, com a idade de 38 anos. Após seu falecimento, o hinário “O Mensageiro” passou a ser carinhosamente zelado por Percília Matos, gerente geral dos hinários.

Maria de Lourdes da Silva Carioca

Adália de Castro Grangeiro, nasceu em Rio Branco, capital do Acre, em 18 de novembro de 1933, filha do Sr. Antônio Gomes da Silva e da Sra. Maria Gomes Monteiro. Nasceu na Colônia Gabino Besouro, hoje, sendo bairro Calafate. Casou se com o Sr. Francisco Granjeiro Filho em 05 de dezembro de 1951. Mãe de 9 filhos: Guilherme de Castro Grangeiro, Valcírio Gomes Grangeiro, Francisca de Castro Granjeiro, Maria Conceição de Castro Granjeiro, Maria Zeneide de Castro Granjeiro, Leonel de Castro Granjeiro, Maria de Nazaré Granjeiro Carioca, Clara de Castro Granjeiro e Cecília de Castro Granjeiro; 39 netos e 50 bisnetos e 7 tataranetos... Desde dos seus primeiros anos de vida já tomava Daime. Desde pequena já tinha seriedade com os trabalhos do Mestre Irineu Serra, acompanhando os seus pais nos trabalhos da Doutrina. Lembra dos trabalhos do Mestre desde dos seus 8 anos de idade. Quando o seu pai se despediu deste mundo para o espiritual, ela com os seus 11 anos de idade, foi convidada a aprender o hinário dele por a Dona Maria Raimunda e dona Maria Tenório. Lembra muito bem que o primeiro hinário cantado em sua responsabilidade foi no aniversário do Sr. Elias, ainda na primeira sede dos trabalhos, isso em 1953 (tinha 20 anos de idade) porém, já sabia de memória todos os hinos de seu pai. Dona Adália, assumiu vários cargos (funções) dentro dos trabalhos da Doutrina, ainda com o Mestre em vida. Foi enfermeira, comandante do batalhão feminino, fazia parte do segundo Estado Maior dos trabalhos, fazia parte do serviço de cura daquela época. Com a passagem do Sr. Francisco Grangeiro, fundador do Centro Livre Caminho do Sol – CELIVRE-CS, situado no 2º distrito de Rio Branco para o mundo espiritual, dia 08 de agosto de 2000, ficou sendo ela, a matriarca desta família e dirigente geral do Centro Livre Caminho do Sol – CELIVRE-CS, até fazer também sua passagem ao mundo espiritual no dia 28 de maio de 2020, com 86 anos de vida terrena e mais de um século e meio de serviços na Doutrina de Raimundo Irineu Serra, deixando seu filho Leonel de Castro Grangeiro na Presidência do Centro.

ADÁLIA DE CASTRO GRANGEIRO

Adália de Castro Grangeiro, nasceu em Rio Branco, capital do Acre, em 18 de novembro de 1933, filha do Sr. Antônio Gomes da Silva e da Sra. Maria Gomes Monteiro. Nasceu na Colônia Gabino Besouro, hoje, sendo bairro Calafate. Casou se com o Sr. Francisco Granjeiro Filho em 05 de dezembro de 1951. Mãe de 9 filhos: Guilherme de Castro Grangeiro, Valcírio Gomes Grangeiro, Francisca de Castro Granjeiro, Maria Conceição de Castro Granjeiro, Maria Zeneide de Castro Granjeiro, Leonel de Castro Granjeiro, Maria de Nazaré Granjeiro Carioca, Clara de Castro Granjeiro e Cecília de Castro Granjeiro; 39 netos e 50 bisnetos e 7 tataranetos... Desde dos seus primeiros anos de vida já tomava Daime. Desde pequena já tinha seriedade com os trabalhos do Mestre Irineu Serra, acompanhando os seus pais nos trabalhos da Doutrina. Lembra dos trabalhos do Mestre desde dos seus 8 anos de idade. Quando o seu pai se despediu deste mundo para o espiritual, ela com os seus 11 anos de idade, foi convidada a aprender o hinário dele por a Dona Maria Raimunda e dona Maria Tenório. Lembra muito bem que o primeiro hinário cantado em sua responsabilidade foi no aniversário do Sr. Elias, ainda na primeira sede dos trabalhos, isso em 1953 (tinha 20 anos de idade) porém, já sabia de memória todos os hinos de seu pai. Dona Adália, assumiu vários cargos (funções) dentro dos trabalhos da Doutrina, ainda com o Mestre em vida. Foi enfermeira, comandante do batalhão feminino, fazia parte do segundo Estado Maior dos trabalhos, fazia parte do serviço de cura daquela época. Com a passagem do Sr. Francisco Grangeiro, fundador do Centro Livre Caminho do Sol – CELIVRE-CS, situado no 2º distrito de Rio Branco para o mundo espiritual, dia 08 de agosto de 2000, ficou sendo ela, a matriarca desta família e dirigente geral do Centro Livre Caminho do Sol – CELIVRE-CS, até fazer também sua passagem ao mundo espiritual no dia 28 de maio de 2020, com 86 anos de vida terrena e mais de um século e meio de serviços na Doutrina de Raimundo Irineu Serra, deixando seu filho Leonel de Castro Grangeiro na Presidência do Centro.

Francisco Grangeiro Filho

Francisco Grangeiro Filho, nasceu na cidade de Xapuri, município do estado do Acre, em 26 de Junho do ano de 1921, filho de Francisco Granjeiro da Costa e Maria Ferreira da Costa, ingressou nos serviços da Doutrina em 1950 e logo que conheceu o Mestre Irineu já foi aprendendo a ser firme aos trabalhos do Mestre e logo foi recebendo a chefia de feitio de Daime, função dada pelo o Mestre Irineu, foi membro do chamado Estado Maior do Centro Livre (nome do Centro do Mestre, na época) , integrando também a Comissão de Cura. Casou-se com a filha caçula de Antônio Gomes, Adália Gomes, pedindo a sua mão ao Mestre já que desde que o Senhor Antônio Gomes falecera em 1946 era o Mestre Irineu o responsável pela família, de modo que pode-se considerar o Sr. Chico Granjeiro como um “genro do Mestre”. Já na nova denominação do Centro do Mestre, o CICLU – Centro de Iluminação Cristã Luz Universal, também assumiu a função de Gestor, já que era o coordenador dos feitios de Daime. O Sr. Francisco Grangeiro foi até os últimos dias de sua vida terrena o zelador do hinário do Sr. João Pereira, também foi ele o primeiro zelador do hinário do Sr. Germano Guilherme. Através de seus trabalhos dentro da Doutrina e sua firmeza nos trabalhos do serviço da mata, recebeu do Mestre a patente de General. O Sr. Francisco Grangeiro, fez sua passagem para o mundo espiritual em 8 de agosto de 2000, deixando um hinário com 26 hinos, titulado de APURO, onde no último hino ele recebe do astral a denominação de Santo Daime ao que se refere a ayahuasca, nome originário da mistura do cipó Jagub (Banisteriopsis caapi) e da folha Chacrona (Psychotria viridis). Antes de sair deste mundo para o espiritual, (em 08/08/2000), fundou o Centro Livre Caminho do Sol – CELIVRE-CS, que por mais de uma década, foi liderado pela sua esposa Adália de Castro Grangeiro (hoje já no astral) e seu filho Leonel de Castro Grangeiro, que hoje é o Presidente do Centro.

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